Reforma Tributária2026–2033 · 4ª ed.

ABERTURA

ANTES DE COMEÇAR

Em 2026, uma empresa pode vender o mesmo, manter os mesmos clientes e ainda assim chegar a 2027 com menos caixa.

Não por queda de faturamento. Não por inadimplência. Mas porque a Reforma mexe em três engrenagens ao mesmo tempo: o crédito que reduz o custo, o momento em que o imposto sai do caixa e o preço líquido que o cliente enxerga.

A transição termina em 2033. A decisão empresarial começa agora.

E “agora” não é força de expressão. A mudança já chegou nos documentos fiscais. Desde 3 de agosto de 2026, empresas do regime regular são obrigadas a emitir documento eletrônico com os campos de IBS e CBS. Em setembro, quem está no Simples tem trinta dias para tomar uma decisão que vale o primeiro semestre inteiro de 2027, e vai ter de tomá-la sem saber a alíquota que a CBS terá no ano que vem, porque o Senado tem até 15 de dezembro para fixá-la.

Três relógios. Todos correndo. Nenhum deles espera a sua agenda. E um deles, você vai descobrir no Capítulo 4, corre mais devagar do que o país imaginava. O que é uma notícia pior, não melhor.

Por isso, este não é um livro para o empresário decorar lei. É um livro para tomar decisões melhores sobre margem, caixa, preço, contratos, fornecedores, dados e competitividade.

Antes do Direito, passei mais de vinte anos em empresas como Nestlé e PepsiCo. Foi ali que aprendi que um número tributário só ganha sentido quando aparece na DRE, no capital de giro, na política comercial ou na capacidade de crescer. Depois dos quarenta, voltei à faculdade, virei advogado tributarista e passei a ver o mesmo problema do outro lado da mesa: empresas competentes tomando decisões ruins porque olhavam apenas para a alíquota.

Este livro nasce dessa interseção. Ele combina a visão do executivo, a disciplina do tributarista e a urgência de quem tem folha para pagar no dia 5.

O objetivo não é produzir medo. É transformar incerteza em trabalho organizado.

Se você não conseguir reunir esses dados, esse já é o primeiro diagnóstico: o risco não está só na Reforma. Está na qualidade da gestão.

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