Reforma Tributária2026–2033 · 4ª ed.

CAPÍTULO 20

PLANO DE AÇÃO 30–60–90 DIAS

O plano não começa com uma tese. Começa com dono, prazo, entregável e indicador. Se faltar qualquer um dos quatro, não é plano. É intenção.

Primeiros 30 dias: diagnosticar

ENTREGÁVELRESPONSÁVELINDICADOR
Base de vendas e compras dos últimos 12 mesesFinanceiro e Fiscal100 % conciliada
Margem por produto, cliente e canalCFO e ControladoriaCobertura da receita analisada
Mapa dos 20 maiores clientes e fornecedoresComercial e ComprasParticipação na receita e no custo
Lista de contratos que atravessam 2027, separando os administrativosJurídicoReceita coberta pela revisão
Diagnóstico de ERP, com versão de nota técnica confirmadaTecnologia e FiscalTestes aprovados e rejeições
Cálculo do float tributário atualTesourariaExposição média em reais
Responsável executivo e comitêDireçãoReunião quinzenal ativa

Dias 31 a 60: simular

Crie três cenários, conservador, provável e crítico, para: carga líquida de IBS e CBS com 26,5% e com 28%; créditos potenciais e efetivamente apropriáveis; preço e margem por segmento; capital de giro com split payment; Simples tradicional contra opção regular, quando aplicável; e contratos com maior risco de erosão econômica.

Cada cenário deve registrar premissa, fonte, responsável e data de revisão. Cenário sem premissa documentada é palpite com aparência de planilha.

Dias 61 a 90: decidir e executar

  • Definir a política comercial por tipo de cliente.
  • Renegociar os contratos prioritários, começando pelos administrativos, que têm prazo próprio.
  • Corrigir cadastros e integrações, e implementar a vinculação entre documento fiscal e cobrança.
  • Definir reserva ou linha de capital de giro, e contratá-la antes de precisar.
  • Formalizar a decisão de regime aplicável.
  • Treinar vendas, compras, financeiro, fiscal e atendimento, incluindo o argumento comercial do cálculo por fora.
  • Implantar o painel mensal da Reforma.

As datas que não dependem do seu plano

Existe uma diferença entre o que a sua empresa escolhe fazer e o que o calendário obriga. A tabela abaixo é a segunda lista, e ela vale mesmo para quem decidir não mexer em nada.

GRÁFICO 18 · CALENDÁRIO OBRIGATÓRIO ATÉ JANEIRO DE 2027
1 a 30 de setembro de 2026Janela de opção pelo Simples Nacional para 2027 e pelo regime regular de IBS e CBS
14 de setembro de 2026Prazo do Executivo para enviar ao TCU a proposta de cálculo da alíquota da CBS
1º de outubro de 2026Obrigatoriedade de NFS-e para os demais serviços sujeitos ao ISS, NFCom, DIR e eventos de tabela da DeRE
30 de outubro de 2026Prazo do TCU para remeter os cálculos ao Senado
1º de novembro de 2026NFS-e de padrão nacional obrigatória para ME e EPP optantes do Simples
15 de novembro de 2026Eventos periódicos mensais da DeRE, primeira entrega referente a outubro
30 de novembro de 2026Prazo final para cancelar a opção do Simples, sujeito a eventual prorrogação ainda não publicada
1º de dezembro de 2026NFS-e das demais hipóteses, NFGas, NFAg, NF-e ABI, BP-e semiurbano e aéreo, e contribuinte de IBS e CBS que não é de ICMS
15 de dezembro de 2026Prazo do Senado para fixar a alíquota de referência
20 de dezembro de 2026Informação de receitas anteriores à opção no PGDAS-D, para quem ingressa no Simples em 2027
22 de dezembro de 2026Trava: sem resolução, valem as alíquotas calculadas pelo TCU
31 de dezembro de 2026Limite para retificar inconsistências no programa de conformidade. Inventário do estoque de abertura.
1º de janeiro de 2027Cobrança da CBS e do Imposto Seletivo. Optantes do Simples passam a emitir com IBS e CBS. Duimp, monofásicos e pessoa física entram na obrigatoriedade.
30 de junho de 2027Prazo final para apurar e apropriar o crédito presumido de estoque

Datas conforme atos publicados até 21 de agosto de 2026. Algumas dependem de confirmação ou podem ser alteradas por ato posterior, o que reforça a necessidade da rotina de monitoramento.

O painel mínimo do empresário

GRÁFICO 19 · DEZ INDICADORES PARA ACOMPANHAR TODO MÊS
  1. 01Margem por produto, cliente e canal
  2. 02Créditos potenciais, sustentados, apropriados e pendentes
  3. 03Necessidade adicional de capital de giro
  4. 04Receita coberta por contratos revisados
  5. 05Percentual do cadastro fiscal revisado
  6. 06Documentos rejeitados e causa
  7. 07Percentual de documentos emitidos com os campos de IBS e CBS preenchidos
  8. 08Fornecedores aptos a sustentar créditos
  9. 09Diferença entre preço bruto e custo líquido para o cliente
  10. 10Decisões pendentes, responsável e prazo

O sétimo indicador é novo nesta edição. Ele existe porque, hoje, é o único termômetro disponível: como não há rejeição por ausência dos campos, o Fisco não devolve esse diagnóstico para você.

A reunião que mantém o plano vivo

Uma vez por mês, a direção responde cinco perguntas: o que mudou na norma desde a última reunião? Que premissa financeira ficou desatualizada? Onde perdemos crédito, margem ou prazo? Qual contrato, cliente ou fornecedor entrou em risco? Que decisão precisa ser tomada antes da próxima reunião?

Na primeira reunião, o objetivo é sair com cinco decisões, não com cinquenta slides. Ao final, registre decisão, responsável, prazo e evidência esperada. Se a reunião terminar apenas com “vamos acompanhar”, ela não produziu governança.

A Reforma não será vencida por quem decorar mais artigos. Será atravessada melhor por quem transformar regra em decisão, decisão em responsável e responsável em execução medida.
Falar com um especialista